Maria José Madureira, Cecília Andrade, Margarida Pereira, José Gomes da Costa e Cláudia Pinho são pessoas singulares, com vidas bem distintas, mas com uma coisa em comum: a Covid-19. Sem estarem à espera, viram as suas vidas virarem complemente ao contrário e foram forçadas a lutar contra o vírus dos dias de hoje. Com mais ou menos gravidade, passaram a dar mais valor à doença, aos profissionais de saúde e criticam quem, ainda hoje, pensa que se trata de uma simples gripe. Ultrapassaram a infeção, mas alertam para as sequelas.

É a realidade do momento. Desde que foi descoberto, ainda em 2019, o novo coronavírus (SARS-CoV-2) tem transformado o mundo tal como o conhecíamos. Bastou pouco tempo para que este novo vírus se espalhasse por todo o planeta, provocando infeções em milhões de pessoas, causando o caos e grandes alterações à vida social de cada um.

Em Portugal, só em fevereiro de 2020 se começou a conhecer os contornos deste problema e o primeiro caso foi registado nos primeiros dias de março. A partir daí a situação descontrolou-se. Todos os dias surgiram mais doentes e Maria José Madureira, de 46 anos, foi uma das primeiras infetadas em Espinho. Contraiu a doença em março do ano passado, depois do marido, profissional do INEM, ter sido aconselhado a ficar em casa por uma questão de precaução. “O meu marido ficou em isolamento no dia 18 de março de 2020. Ele tinha dores de cabeça, tosse e uma sensação de mau estar. Como já se ouvia falar de outros casos, disseram-lhe para ficar em casa. No dia 21 acabou por fazer o teste e o resultado foi positivo”, conta Maria José, explicando o início da doença na família.

Perante esta confirmação, o resto da família foi testada. Maria José e os três filhos do casal cumpriram com o procedimento e deram início a um isolamento que, sem nunca imaginarem, acabou por durar dois meses. “O teste dos meus filhos deu negativo e o meu inconclusivo, por isso, repeti-o no dia 28. Hoje em dia é tudo mais rápido, mas em março do ano passado era tudo muito novo, as coisas demoravam tempo”, recorda. “Quando o meu teste deu inconclusivo mudei-me para outro quarto. Eu estava num, o meu marido noutro e os meus filhos a terem que se desenrascar. A sorte é que tenho dois mais velhos. O André tem 24, a Diana 22 e a pequenina Matilde tem 6. Estávamos todos na mesma casa, mas separados”, conta Maria José, acrescentando que, para juntar a esta situação de organização familiar, a casa onde cumpriam o isolamento estava em obras. “Só tínhamos uma casa de banho disponível porque a outra estava em remodelação. Eu e o meu marido acordávamos cedo para tomar banho, desinfetávamos tudo para, depois, eles poderem usar. A minha filha mais nova ligava-me a perguntar se podia ir à casa de banho, se estava tudo limpinho e eu tinha que confirmar. Dentro desta confusão, acho que nos conseguimos organizar bem os cinco”.

Artigo disponível, na íntegra, na edição de 6 de maio de 2021. Assine o jornal que lhe mostra Espinho por dentro, por apenas 30 euros.