Pinto Correia licenciou-se em Engenharia Civil e foi admitido nos serviços técnicos da Câmara Municipal de Espinho, nos anos 50. Concorreu à Direção-Geral dos Serviços Hidráulicos e foi admitido, mas recusou o cargo para desempenhar as funções de técnico superior no Município de Espinho. Foi praticante de voleibol e dirigente da Associação Académica de Espinho e é o atual sócio número um do Sporting Clube de Espinho. Foi acionista da Piscina Solário Atlântico, algo que herdou de seu pai, antigo diretor do Colégio de S. Luís e proprietário da Farmácia Higiene.

Foto: Sara Ferreira

Nasceu na Arrifana. Como veio para Espinho?

Vim para cá em 31 de janeiro de 1935. O meu pai, Joaquim Pinto Correia, foi a razão de virmos. Era professor no Colégio dos Carvalhos que tinha, em Espinho, uma sucursal que deu origem ao Colégio de S. Luís. Ele foi transferido para cá, como assessor do diretor, ficando pouco tempo depois como responsável por essa secção do Colégio dos Carvalhos.

Considera-se um espinhense?

Nem poderia ser outra coisa! Vim para cá com quase três anos, no princípio da minha infância e foi cá que fiz todo o meu percurso na vida. Frequentei sempre o Colégio de S. Luís, desde a primeira classe até ao sétimo ano, até seguir para a Universidade.

Do que se recorda desse tempo da sua juventude?

Para se ir para a primeira classe tinha de se ter sete anos. Não havia o pré-escolar, como atualmente existe e tínhamos de estar em casa, até termos idade de ir para a escola. Morava na Rua 18, no número 388 e recordo-me de jogar à bola no passeio e na rua. Depois, no verão, frequentávamos a nossa praia.

Do colégio, tenho muito boas recordações. Foi lá que comecei a jogar voleibol. No Norte ainda não havia campeonatos e nós, com o Colégio de S. Luís, começámos a jogar voleibol nos campeonatos da Mocidade Portuguesa. Tivemos muito sucesso e conseguimos alguns títulos regionais e chegámos, por duas vezes, às finais nacionais que eram disputadas em Lisboa.

O que fazia um jovem dessa altura no desporto?

Nós praticávamos desporto no Colégio de S. Luís, cujo recreio ficava na esquina das ruas 23 com a 8. Tínhamos lá um pequeno campo de futebol, que ia desde a Rua 21, onde está atualmente o supermercado Pingo Doce, até à Capela de Santa Maria Maior. Era esse o nosso espaço de recreio. Uma vez por semana íamos ao campo do Sporting Clube de Espinho. Era às quartas-feiras, quando tínhamos a tarde livre.

Fala tanto do Colégio de S. Luís, naturalmente porque o seu pai era o responsável por essa instituição!

Estamos a falar dos anos 40 do século passado! Todos nos conhecíamos. O Colégio de S. Luís era frequentado não só pelos jovens de Espinho, mas por muitos que vinham para cá das redondezas. Como tinha internato, até alunos de Lisboa vinham para cá! Teve uma significativa projeção a nível nacional.

Era só para quem tivesse possibilidades económicas…

Fazia parte do ensino particular e, obviamente, não era para todos. No entanto, houve sempre a possibilidade de pessoas, sem posses, o frequentarem, de graça! Tanto o meu pai como os responsáveis pelo Colégio dos Carvalhos tiveram sempre essa visão e essa sensibilidade.

Conheceu imensas pessoas que tomaram decisões políticas no Município de Espinho…

Conheci imensas pessoas que estiveram, posteriormente, no centro decisor político de Espinho. Mas, mais tarde, o meu à-vontade perante a administração, não era tanto quanto o foi durante muitos anos, sobretudo porque essas pessoas já não eram de Espinho. Trabalhávamos todos com o mesmo objetivo, que era único e tão-só Espinho. Foi aí que acabei por ultrapassar um pouco as minhas funções como funcionário.

Como foi a sua escolha pelas engenharias e a entrada para os quadros do Município de Espinho?

O meu percurso de estudante foi um bocadinho atribulado porque não considero que tenha sido um aluno brilhante. A verdade é que essa licenciatura não era nada fácil na Universidade do Porto! Mas depois de concluir o curso, no Norte não havia muitos empregos. As câmaras municipais, por exemplo, não tinham engenheiros nos seus quadros de pessoal!

Entretanto, conheci a minha mulher em Coimbra e ela veio para Espinho dar aulas para o Colégio de S. Luís. Casei e quis trabalhar perto de casa.

Fui o primeiro funcionário superior da Câmara Municipal de Espinho. Estive um ano à espera de ser admitido pela Câmara, após concluída a minha licenciatura em Engenharia Civil. Nunca tive a garantia de que ficaria com esse lugar! Concorri até à Direção-Geral dos Serviços de Urbanização, em Lisboa e à Direção-Geral de Portos, mas acabei por optar por Espinho.

Arrepende-se de ter optado por ficar cá?

É algo que não lhe poderei responder. Não sei se fiz bem ou mal! Ficamos sempre com a ideia de que optámos pelo pior. Vendo isto nos dias de hoje, numa retrospetiva, sob o ponto de vista profissional acabou por não ter grande interesse, porque nunca exerci a área para a qual me tinha andado a preparar e a estudar na Faculdade. Fui um gestor urbano, dos projetos e as obras municipais e concursos que entravam na Câmara.

O seu percurso na Câmara Municipal esteve sempre ligado à Divisão de Obras…

Entrevista completa na edição de 17 de março de 2022. Assine o jornal que lhe mostra Espinho por dentro por apenas 30€.